Educação e lazer para crianças e jovens

O que é bullying?

Bullying é toda ação intencional e repetitiva feita com a intenção de machucar uma ou mais pessoas. É uma violência física ou psicológica, praticada por um indivíduo ou grupo contra outro indivíduo ou grupo que não é capaz de se defender por si só“.


Nesta definição percebemos conceitos importantes associados ao Bullying: intenção, repetição, incapacidade de defesa da vítima, além do fato de ocorrer entre pares, ou seja, indivíduos do mesmo grupo.
As consequências provocadas pelo bullying podem ser as mais diversas: dificuldade de socialização, síndrome do pânico, anorexia, bulimia, depressão, ansiedade, gagueira além de doenças físicas causadas por estresse, como gastrite e cefaleia, até homicídios e suicídios em casos mais graves. Algumas vítimas podem necessitar acompanhamento psicológico para superarem os problemas.

Que tipos de ação podem ser considerados bullying?

Psicológicas: oprimir, constranger, assediar, desvalorizar, perseguir, ofender, xingar, atormentar, abusar, ridicularizar, colocar apelidos, “dar gelo”, humilhar, discriminar, ignorar, fazer fofoca, difamar, esnobar, “zoar”, chantagear, assediar, falar mal, dentre outros;
Físicas: ferir, machucar, abusar sexualmente, bater, socar, violentar, espancar, chutar, agredir, empurrar, beliscar;
Materiais: roubar, furtar, quebrar pertences, esconder objetos;
Cyberbullying: utilização de meios eletrônicos para enviar textos ou imagens com intenção de prejudicar outra pessoa.

Qual o envolvimento dos jovens com o Bullying?

Os jovens se envolvem no bullying de diferentes formas: autores ou agressores, aqueles que praticam o bullying; alvos ou vítimas, aqueles para quem o bullying é direcionado; testemunhas, aqueles que presenciam o bullying.
Muitas vezes os agressores serão alvos em outras situações e vice-versa. Desta forma podemos dizer que também há Vítimas/Agressores ou Alvos/Autores.

Alguns fatos que todo Escotista deve compreender

  • O bullying não é uma simples “implicância”. São atos intencionais e repetitivos, com objetivo de ferir uma pessoa, seja física ou psicologicamente. As conseqüências do bullying podem seguir por toda a vida, gerando traumas e graves problemas.
  • É mais fácil colocar a culpa na própria vítima a responsabilidade pelo bullyng, este é um preconceito simplista, mas infelizmente frequente. Os adultos não devem cair nesta armadilha e devem entender que a vítima deve realmente ser protegida.
  • Não se deve responder ao bullying com “represálias”, o que (retro)alimenta o ciclo de agressividade.
  • O bullying não é um rito de passagem e nem é necessário para amadurecer crianças e adolescentes, não as torna mais fortes, nem preparadas para a vida. As crianças nem sempre conseguem resolver o bullying por si só, necessitando do apoio de adultos preparados e atentos. Este é o papel do Escotista da seção. O bullying é intolerável.
  • Embora os Grupos Escoteiros sejam locais acolhedores, não são “imunes” ao bullying e a chefia deve estar atenta para esta questão e preparada: não se pode esperar aparecerem os casos de bullying para começar a pensar no problema.

Como prevenir o bullying nos Grupos Escoteiros

Aplicação do Método Escoteiro

Onde se aplica o Método Escoteiro o bullying é praticamente inexistente. O Método, além de estimular o ganho de autonomia por intermédio do “aprender fazendo” e da “vida em equipe”, estimula o desenvolvimento de habilidades e atitudes através de “atividades atraentes, progressivas e variadas”.
O quinto ponto do Método Escoteiro “desenvolvimento pessoal com orientação individual” deixa claro que os jovens estarão sob supervisão de adultos dedicados. As seções devem ter o número de jovens determinado de acordo com a quantidade de adultos na chefia, não devendo ultrapassar mais que uma patrulha para cada chefe.

Valorização individual – Reforço Positivo

Os adultos devem valorizar individualmente os jovens, especialmente aqueles mais vulneráveis ao bullying. Assim se um membro juvenil é mais gordinho ou menor a chefia deve procurar desenvolver atividades que tais aparentes “desvantagens” tornem-se vantagens.
Exemplos: um jovem menor é mais leve, mais fácil de ser transportado, o que pode se transformar em uma vantagem em um jogo de revezamento em que seja necessário transportar um “rei” em seu “trono”. Já um jovem gordinho, com menos agilidade se encontrará em vantagem quando o jogo exigir que se retire os membros de outra patrulha de dentro de um círculo, pois ele será mais dificilmente empurrado para fora.
As atividades escoteiras devem valorizar os indivíduos, de forma a todos terem oportunidade de se destacarem em algo, fortalecendo-o e oferecendo ferramentas para que possa se defender frente a ameaças de bullying.

Compromisso do Adulto

Os escotistas necessitam tempo, paciência e habilidade para lidar com crianças e jovens envolvidos em bullying e sua famílias, pois além da identificação a solução vai envolver conversas com os pais e com o jovem envolvido, seja agressor ou seja alvo. A Chefia da Tropa deve estar permanentemente atenta para sinais que possam indicar que a criança ou adolescente esteja sendo vítima de bullying no Grupo Escoteiro, na escola ou em qualquer outro local que freqüente. Atenção às crianças que permanecem isoladas dos demais, que estão sempre ansiosas ou deprimidas, que apresentam alterações súbitas de humor, que se queixem de dores para não participar dos jogos e atividades.
Somente aquele que quer e pode investir seu tempo na formação dos jovens pode se comprometer a ser escotista e isso deve ficar bem claro desde que o adulto assume o seu acordo de trabalho voluntário.

Conscientização de todo Grupo Escoteiro

Os escotistas devem preparar-se pelo estudo dos problemas comuns aos jovens. Devem conhecer e avaliar o entendimento que pais e jovens têm sobre este problema e a freqüência com que ocorre na seção na visão dos membros juvenis.
Os membros juvenis devem ser conscientizados e ajudar os chefes na identificação deste problema, tendo em mente conceitos simples:
Quem pratica deve parar com este tipo de atitude, colocando-se no lugar da vítima. Certamente não gostaria que isso acontecesse consigo;
Quem sofre deve tentar se defender e comunicar imediatamente a chefia da seção;
Quem é testemunha deve proteger os demais e avisar imediatamente a chefia da seção;

Participação dos Pais

É fundamental a interação dos pais e responsáveis com o Grupo Escoteiro e alertá-los sobre os perigos do bullying, de forma a estarem atentos ao que pode se passar com seus filhos nos diferentes ambientes que frequentem.
Diante de toda suspeita de bullying os escotistas responsáveis pela Seção devem procurar os pais ou responsáveis e conversar com eles sobre o problema.

Sistema de Patrulhas na prática

Toda atividade que promova autonomia do jovem, estimulando-o a tomar decisões e resolver problemas o torna menos suscetível ao bullying. O grande diferencial do escotismo quanto ao protagonismo, a autonomia e a autoconfiança é a aplicação do Sistema de Patrulhas.

Planejamento e Avaliação

Com a simples realização de jogos em reuniões de sede e atividades externas não se chega a atingir objetivo algum e não se aplica escotismo. É importante o planejamento das reuniões e dos Ciclos de Programa de forma que o programa das reuniões e as atividades sejam escolhidas de acordo com as necessidades individuais e coletivas. Sistematicamente as atividades e ciclos de programa devem ser avaliados por todos os envolvidos, de forma a se ter certeza de que os objetivos estão sendo atingidos.

Cultura de Paz

Promover no Grupo Escoteiro a Cultura de Paz é um ponto positivo no propósito de se evitar o bullying. Existem diversas atividades e jogos que desenvolvem a cultura de Paz que podem ser encontrados em fichas Reme e manuais de atividades escoteiras.

Debates, Jogos Democráticos, Votações, Estudos de Caso, Vídeo-debate

Permitem que os jovens aprendam sobre bullyng discutindo o tema entre si. São formas de conscientizar os jovens sobre o assunto de forma dinâmica e agradável.

Elaboração: Altamiro Vilhena
Colaboração: Felipe de Paulo


Material de Apoio:

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BULLYING – O que todos devem saber no Grupo Escoteiro

A cartilha tem como objetivo compartilhar com membros do Escotismo, conhecimentos teóricos aliados a prática sobre o tema.

Fonte: www.escoteiros.org.br